Brasilianista: Taxas propostas pelos EUA não são ameaça estrutural ao Brasil, diz especialista

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Segundo economista, a medida pode impactar setores específicos, mas não há ameaça estrutural à economia brasileiraPor Laura Mello | 15 de junho de 2026

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, nesta segunda-feira (15), uma projeção sobre os impactos que a exportação brasileira possa vir a sofrer, caso os Estados Unidos aprove as tarifas de 12,5% e 25% propostas em junho de 2026. O estudo prevê que um terço do comércio exterior seja afetado, impondo 37,5% em cerca de 31,6% das exportações do Brasil aos EUA.

Segundo a pesquisa do CNI, a proposta prevê um aumento de 27,5% nos setores da indústria que já forma sancionados com taxas de 10%. Assim, caso as recomendações do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sejam impostas, 35,2% das exportações brasileiras serão atingidas no novo percentual.

O economista e CEO da A&S Partners, Wagner Moraes, afirma que a medida dos EUA merece atenção, principalmente para setores específicos. No entanto, o especialista comenta que não há uma ameaça estrutural à economia brasileira.

“O Brasil já enfrentou outros momentos de aumento de barreiras comerciais ao longo das últimas décadas e, apesar das dificuldades, conseguiu se adaptar e redirecionar parte importante das suas exportações”, explica. “É evidente que uma tarifa dessa magnitude reduz competitividade e afeta diretamente empresas que possuem forte dependência do mercado americano. No entanto, é importante separar o impacto setorial do impacto macroeconômico”.

Projeção da CNI

A instituição efetuou a simulação do cenário no caso de aprovação das sanções impostas. Na projeção, além dos 31,6% atingidos com tarifas de 37,5%, 3,6% das exportações enfrentarão taxa de 12,5%. Além delas, a pesquisa considera os 18,9% já taxados pelas medidas setoriais da seção 232. Desta maneira, cerca de 54,1% das exportações brasileiras estarão sob sanção dos EUA.

Para o presidente do CNI, Ricardo Alban, a imposição das tarifas não beneficia nenhum dos lados. Isso, pois, aumentaria os custos das empresas e reduziria a competitividade, desta forma, criando incerteza para investimentos. Segundo o diretor, o diálogo é a forma mais efetiva de preservar a parceria comercial entre as nações.

Dentre os produtos que podem ser taxados com 37,5% está o ferro-gusa e o açúcar de cana sólido. De acordo com o economista, a situação do ferro-gusa merece atenção especial.

“Os Estados Unidos são um comprador relevante desse produto e uma tarifa de 37,5% altera substancialmente a competitividade do exportador brasileiro”, comenta. “O redirecionamento para outros mercados existe como alternativa, mas depende das condições da indústria siderúrgica global, dos custos logísticos e da capacidade de estabelecer novos contratos. É um processo possível, porém gradual”.

Para o açúcar, a situação é um pouco mais favorável, segundo o especialista. “O Brasil possui elevada competitividade internacional nessas cadeias e já atua em diversos mercados ao redor do mundo. Evidentemente, não existe substituição automática de demanda, mas há maior flexibilidade para redirecionamento das exportações caso seja necessário”.

O que são as tarifas dos EUA

No começo de junho de 2026, o USTR divulgou a imposição de novas tarifas a 60 países. A decisão é devida à investigação concluída pelo escritório, em que os países sancionados falharam em proibir e fiscalizar a importação de produtos produzidos por trabalho forçado.

Segundo apuração de O Brasilianista, o relatório apontou que o Brasil não possui regime eficaz para a fiscalização e controle de mercadoria importada e fabricada em regime de trabalho forçado, impondo 12,5% de tarifa. Mais cedo na mesma semana, o USTR impôs, ainda 25% de tarifa após finalização de investigação sobre o Brasil.

A averiguação, que foi iniciada em julho de 2025, concluiu que o país possui ações discriminatórias contra companhias estadunidenses, restringindo o comércio da nação. O relatório faz menção direta ao PIX, que prejudica empresas como o Whatsapp Pay, a MasterCard e a Visa.

Tarifas ainda não estão em vigor

As sanções ainda não estão em vigor. Conforme apuração de O Brasilianista, a decisão passará por audiências públicas nos dias 06 e 07 de julho de 2026. O escritório receberá, até o dia 06, comentários por escrito acerca da proposta.

De acordo com o especialista, é prematuro tratar a imposição tarifária como algo definitivo. “Existem etapas institucionais, discussões técnicas e pressões dos próprios setores produtivos americanos que podem influenciar a decisão final”, comenta.

Além disso, o economista confirma que as tarifas elevadas afetam não apenas os exportadores brasileiros, mas, também, aumentam os custos para empresas e consumidores dos EUA.

Desta maneira, a diversificação do mercado deve ser a primeira resposta brasileira, para Moura. “O país avançou muito nos últimos anos na ampliação das relações com a Ásia, Oriente Médio e outros mercados emergentes. Nenhum desses mercados substitui integralmente os Estados Unidos no curto prazo, mas juntos podem absorver uma parcela importante da produção eventualmente deslocada”.

Brasil recebeu a proposta com indignação

Em entrevista coletiva, o vice presidente do Brasil, Geraldo Alkmin, afirmou que recebeu a notícia das sanções como uma injustiça ao país. Conforme apurou O Brasilianista, Alkmin complementou, ainda, que o governo federal trabalhará para que as tarifas não ocorram, além de criticar manobras do governo dos EUA.

O vice presidente afirma, ainda, que o Brasil aprovou, nos últimos 20 anos, 30 medidas para combate à corrupção e a pirataria, como alterações legislativas.

O economista Moura sustenta que, na sua visão, o Brasil precisa manter uma posição firme, mas pragmática, nas negociações. “O caminho mais eficiente continua sendo o diálogo técnico, a negociação diplomática e a demonstração de que diversas exportações brasileiras fazem parte de cadeias produtivas integradas com a economia americana”, expõe.

Conforme o especialista, a medida é um alerta para o país acelerar sua competitividade. Desta forma, melhorando sua infraestrutura logística, reduzindo custos operacionais e ampliando acordos comerciais. Assim, diversificando seus destinos e ampliando a competitividade.

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