Fonte: https://ocruzeironoticias.com.br/materia/pix-desafia-modelo-de-pagamentos-e-entra-no-radar-da-disputa-comercial-entre-brasil-e-eua
O Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central, consolidou-se como o principal meio de pagamento do Brasil e passou a integrar o debate comercial entre Brasil e Estados Unidos.
A eficiência do modelo, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, com liquidação em segundos e sem custo para a maioria das pessoas físicas, reduziu a dependência de dinheiro, TEDs, boletos e cartões, afetando o espaço de atuação de intermediários privados.
Dados do Banco Central mostram que, em novembro de 2025, o Pix já era utilizado por quase 170 milhões de pessoas e mais de 20 milhões de empresas.
Apenas no segundo semestre daquele ano, foram registradas 42,9 bilhões de transações, equivalentes a 54,7% de todas as operações de pagamento realizadas no país, consolidando o sistema como o principal instrumento de pagamentos dos brasileiros.
Para o economista Wagner de Moraes, o avanço do Pix representa uma mudança estrutural no mercado de pagamentos. “O sistema reduz o custo das transações, aumenta a eficiência da economia e diminui a dependência de intermediários tradicionais. Isso pressiona empresas cuja receita depende justamente da intermediação dos pagamentos”, afirma.
O avanço do Pix também ampliou o debate sobre seus efeitos no mercado internacional. Empresas norte-americanas de cartões, plataformas de pagamento e outros intermediários obtêm parte significativa de suas receitas por meio de tarifas cobradas sobre transações financeiras.
Na avaliação de especialistas, um sistema público, instantâneo e de baixo custo reduz a dependência desses serviços e pressiona modelos de negócios baseados em taxas de processamento.
O avanço do Pix também ampliou o debate sobre seus efeitos no mercado internacional. Empresas norte-americanas de cartões e plataformas de pagamento obtêm parte significativa de suas receitas por meio das tarifas cobradas nas transações financeiras.
Segundo Wagner de Moraes, embora existam discussões regulatórias legítimas, o centro da controvérsia é econômico.
“Quando uma inovação altera a distribuição de receitas de uma indústria consolidada, a discussão deixa de ser apenas técnica e passa a integrar a agenda comercial e geopolítica”, avalia.
Caso o modelo brasileiro avance para operações internacionais, especialistas apontam que o impacto poderá ir além das fronteiras nacionais, aumentando a concorrência no mercado global de pagamentos digitais e reduzindo a dependência de redes tradicionais de cartões e de grandes intermediários financeiros.
Enquanto isso, o Banco Central prepara novas funcionalidades para ampliar o uso do Pix e reforçar sua posição como principal infraestrutura de pagamentos do país.

